O termo inteligência artificial (IA) vem sendo adotado de forma ampla e irrestrita. Atualmente, pensar em ser mais criativo, produtivo, inteligente em novas competências de trabalho e até mesmo pessoais, passam por IA. Existe um conjunto de crenças sendo estabelecido em que tudo deveria passar por algum sistema inteligente, em um mundo cada vez mais rápido, com muitas atividades simultâneas sendo conduzidas ao mesmo tempo e com conhecimento sendo vendido em pílulas.
Como ponto de partida, a IA é um assunto que vem ganhando musculatura ao longo de mais de cinquenta anos. Desde os primeiros modelos matemáticos e estatísticos, produzidos em universidades americanas e depois aprimorados por importantes empresas de tecnologia, tem-se uma ampla adoção em tempos atuais destas tecnologias digitais em nossos celulares, computadores e em tantos outros devices.
Para e pense quantos e-mails já foram escritos adotando sistemas inteligentes e que conseguem corrigir a qualidade da sua escrita, bem como ajudando na tradução de textos mais complexos. Da mesma forma, quantos dados são processados diariamente em aplicativos de transportes, otimizando rotas e reduzindo custos com consumo de combustível, por exemplo. Fora isso, quantas pesquisas sofisticadas para o uso de modelos matemáticos que suportam a IA, com foco no estudo de imagens, voz e textos, buscando analisar perfil de possíveis tendências de comportamento, doenças e até mesmo clima? O poder da IA é enorme, com amplo potencial ainda para exploração e análise.
Por outro lado, tem-se uma vasta produção de conteúdos e com qualidade questionável. Inúmeros textos e relatórios têm sido publicados, com o apoio de aplicativos para validação dos dados produzidos, inclusive, recomendando melhoria nestes documentos. Nesta mesma direção, o processo de tradução e pronúncia de idiomas tem sido apoiado pelo uso de tecnologias com potencial para compreensão do padrão da voz e reprodução de respostas em tempo real. Espetacular a evolução destas produções de conteúdo.
Além dos avanços dos modelos matemáticos que suportam a IA, existe um mundo silencioso das empresas de tecnologia focadas em infraestrutura, sendo o mundo dos servidores in-house, bases cloud e com foco em geração de energia. Trata-se de um setor da economia com fartura de investimentos, crescimento expressivo e demanda por novos projetos, por no mínimo dez anos, destacando a demanda para armazenar e processar dados globalmente.
O que dizer do universo das empresas que produzem chips, como o caso recente de hipervalorização da NVidia? Somado a isto, existe uma corrida silenciosa para alcançar o super computador quântico, com capacidade nunca imaginada para processar dados e obter respostas em tempo recorde.
Somando todos estes fatores, riscos emergentes surgem nesta corrida digital. A exposição por dados em inúmeros aplicativos de imagem, voz, vídeos e textos traz consigo o risco de vazamento de dados, atuação de hackers e apropriação indevida por possíveis criminosos, com inúmeras finalidades perigosas.
Além disso, temas como a qualidade da educação, sobre a real qualidade de crescimento econômico e saúde mental estão na pauta, com riscos evidentes sobre o uso destas tecnologias digitais. Enquanto algumas poucas empresas crescem cada dia mais, com ampla concentração de riqueza e um efeito manada comportamental, uma boa pergunta surge: onde estão os reguladores neste momento? Quais limites necessários para estas empresas de tecnologia?
Enquanto isso, indicadores sobre o ambiente econômico, resultados de testes educacionais e resultados sobre a saúde mental e humana andam questionáveis. Em paralelo, o índice FAANG, uma analogia às principais empresas de tecnologia americana, nunca teve uma valorização tão expressiva. No final das contas, para qual Deus estamos servindo? Será que tudo se resume a IA? Talvez, uma avaliação sobre as nossas crenças atuais poderia ser no mínimo repensada a partir de boas perguntas, obviamente, sem o ChatGPT. Estas são as reflexões destes dias no SXSW.
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